O que Kaká ensina para o marketing digital

Carlos Batalha
Carlos Batalha

Sócio-diretor da Agência NBZ - Estratégia Digital


13 SET 2013

Em 2009, pouco depois de ser eleito o melhor jogador do mundo, campeão e artilheiro da Champions League, ídolo do Milan, queridinho das mocinhas que mal sabem o que é um escanteio, Kaká arrumou as malas e foi para o Real Madrid. Foi o primeiro superstar a desembarcar no que seria a nova versão dos Galáticos. Kaká teria como companheiros Cristiano Ronaldo, Özil, Xabi Alonso, Di María, Benzema, Kedira e mais uma galera que formariam um timaço no FIFA Soccer.

Kaká é de um bom mocismo abstêmico. Absteve-se de relações carnais com a namoradinha de adolescência até casarem, abstém-se de bebidas alcoolicas, fumo, noitadas. Faz tudo bem certinho, se cuida, treina, é simpático, sempre declarações sensatas, nunca polêmico. Impossível dar errado, certo? Errado!

Atualmente, o termo mais usado em ações online é CONVERSÃO. E, só esclarecendo, tem nada a ver com religião. Nisso Kaká já é convertido. A conversão que ele não conseguiu foi outra. Sigamos.

Marketing de conversão é a versão atualizada do marketing digital. Podemos dizer que converter é fazer com que ações gerem reações para alcançar metas. Pra não ficar muito física do ensino médio, vamos a exemplos:

1- Uma empresa cria uma promoção para aumentar o número de usuários cadastrados em seu banco de dados.
2- Um e-commerce cria um hotsite de um produto para poder expor melhor o produto e oferecer mais informações relevantes que influenciam na decisão de compra e, óbvio, aumentar as vendas.
3- Ou uma campanha simples é lançada apenas para gerar tráfego para o site e torná-lo conhecido, aumentando visitas e, consequentemente, a receita com publicidade.

Enfim, são metas a serem cumpridas,  umas mais simples, outras mais complexas.

Bom, quando um time contrata um supercraque no auge da carreira por 65 milhões de euros espera-se que ele converta esse investimento em aumento de receita com venda de produtos / publicidade / patrocínio. E como um meia-atacante faz isso? Jogando bem, fazendo gols, ganhando títulos, sendo decisivo. Pois é… Kaká não fez nada disso… Apesar de ser o mesmo cara super gente boa, não era nem sombra do jogador do Milan.

E cliente não contrata agência porque é carente de amigos. Contrata porque tem uma tarefa a ser cumprida e quer soluções e resultados. No marketing digital não basta ser legal, simpático, mandar flores, abrir a porta do carro se não obtiver resultados. E os resultados muitas vezes são medidos em tempo real e com parâmetros de análise bem claros e definidos.

O Real Madrid pagou caríssimo por Kaká em 2009. Agora o devolveu ao Milan de graça. E mesmo o Milan, com todo o amor e carinho, ainda cortou pela metade o salário dele.

Pois é… ser legal e fazer tudo certinho é importante, desde que dê resultado. É duro, mas é a vida real. Ou digital. Enfim, todos entenderam…

Atualização – 16/09/2013 
Tenho uma leve suspeita que Kaká não leu meu texto. Mas, de alguma forma, ele concorda comigo. Nesse fim de semana o jogador sofreu uma lesão que o deixará algumas semanas de molho. No melhor estilo o-que-importa-mesmo-é-resultado, Kaká anunciou que vai abrir mão do salário até voltar a jogar. Ou seja: grana só com resultado.

G1 – Kaká sofre lesão na coxa e avisa que não receberá salário até voltar a jogar

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