Como Adam Smith veria os selfies das moças no Instagram

Carlos Batalha
Carlos Batalha

Sócio-diretor da Agência NBZ - Estratégia Digital


17 DEZ 2013

And the Oxford goes to… selfie! Pois é, o tradicional dicionário Oxford incluiu selfie na sua versão digital e ainda concedeu à palavra a honraria de “palavra do ano”, o que faz o termo saltar de uma gíria plebeia a um termo nobre. Segundo o dicionário, selfie é uma foto tirada de si mesmo, normalmente de um smartphone ou webcam e postada em uma rede social. E, por aqui no Brasil, a palavrinha também já virou moda. Afinal, é muito mais bacana tirar um selfie do que um autorretrato, principalmente depois dessa reforma ortográfica que tirou o charme do hífen e deixou a palavra assim meio brucutu.

Enfim, selfies são imensamente usadas pelas mocinhas que adoram divulgar seu #treino, #workhard, #health, #espantaasinvejosas, e por aí vai. Mas o que as moças do Instagram tem a ver com Adam Smith?

Para a economia, incentivo é a vantagem oferecida com o objetivo de aumentar a produção e melhorar o rendimento. Mas não se engane, caro leitor. Em economia, nem tudo que reluz é necessariamente ouro, e o incentivo pode ser algo menos tangível e mais sentimental, como o desejo de ser benquisto. Somos sociais e necessitamos da validação da comunidade em que vivemos. Como disse o psicólogo William James em “Os princípios da psicologia”:

“Não poderia ser elaborada punição mais demoníaca, se tal coisa fosse fisicamente possível, do que estar numa sociedade e passar totalmente despercebido por todos os seus membros”. 

Agora voltemos à moças em seus selfies na academia. Quando a menina posta a foto no Instagram, cuidadosamente despojada, lindamente natural mesmo que posadamente artificial, mostrando o resultado do treino, o que ela deseja? Qual o incentivo para se dedicar a meses de treinamento, alimentação regrada e dores musculares? Basta a satisafação de se olhar no espelho e gostar do resultado? Bem, se estamos falando de sentimentos e economia, é aí que entra Adam Smith. Em seu Teoria dos Sentimentos Morais, no capítulo “Da origem da ambição e da distinção social”, diz:

“Ser notado, ser atendido, ser visto com simpatia, complacência e aprovação, são todos os benefícios a que podemos aspirar”.

Postar a foto se torna, então, essa busca pela aprovação, e os likes são o sistema de incentivos. Cada like recebido é esse benefíco de ser notada, é a validação social que estimula mais produção e melhor rendimento.

Então, parafraseando outro britânico, há mais coisas no selfie e na tela do que sonha a nossa economia…

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