Chegou a vez do #AtivismoDeHashtag!

Juliana Reiss
Juliana Reiss


16 MAIO 2014

14 de abril de 2014. 276 meninas nigerianas foram sequestradas. Você soube disso no dia que o sequestro aconteceu? Provavelmente não.

23 de abril de 2014. #BringBackOurGirls. Você já viu essa hashtag em algum lugar? Provavelmente sim.

Há alguns anos, notícias como essa demorariam muito tempo pra chegar em outras partes do mundo e mais ainda pra causar comoção em pessoas de outros países. Pense o seguinte: se você tá perto da casinha dos 30 anos, na sua adolescência você jamais ficaria sabendo isso por um celular, por exemplo. Aliás, o que era um celular na época, né?! Mas o ponto não é esse. O ponto é a velocidade e o poder que uma simples combinação de palavras aglomeradas depois de um joguinho da velha podem ter.

Voltando ao assunto das meninas nigerianas, elas foram sequestradas há pouco mais de 1 mês, mas foi apenas após o discurso da ex-ministra de Educação da Nigéria, Oby Ezekwesilila, onde ela pedia “Tragam de volta nossas garotas!”, que o tema se tornou de importância internacional. Como? Será que as pessoas ao redor do mundo estavam assistindo televisão nesse exato momento? Não. O que aconteceu foi que um advogado nigeriano, Ibrahim Abdula, simplesmente decidiu tuitar sobre esse discurso e teve a brilhante ideia de colocar isso numa #hashtag. Pronto, boom! Foi só o que foi preciso pro assunto se tornar conhecido por gente de todo canto do mundo. Michelle Obama, Hillary Clinton, Angelina Jolie, Sean Penn, Justin Timberlake e um monte de outros famosos também aderiram à campanha dessa hashtag!

Daí eu te pergunto: uma hashtag pode mudar o mundo? A hashtag #BringBackOurGirls vai, de fato, trazer essas meninas de volta? Negativo. Mas é fato que, quanto mais gente souber sobre determinado assunto, maior vai ser a pressão. Exemplo simples: você me conta que fez algo errado, tipo, arranhar um carro estacionado sem querer e sair de lá sem fazer nada, como se nada tivesse acontecido. Se só eu souber, a pressão vai ser uma, bem pouca, certo? Mas se eu, seus amigos, sua família, seus colegas de trabalho, gente que você nunca viu na vida e até o presidente do Cazaquistão souberem e te cobrarem uma posição sobre isso, será que a pressão pra você resolver o assunto não vai ser consideravelmente maior?

E é isso o que tem acontecido com as hashtags! Elas acabaram se tornando uma forma de resumir ou talvez intitular aquela manifestação, aquela indignação, aquela revolta. Nesses tempos completamente virtuais, o joguinho da velha funciona! Afinal, quem nunca viu por aí #SomosTodosMacacos #InstitutoRoyal #BoateKiss #OGiganteAcordou #Occupy? A #VemPraRua funcionou tanto que o povo foi mesmo pra rua!

As mídias sociais são os trombones modernos pro povo colocar a boca. E as hashtags são, digamos, o amplificador deles. Estamos, oficialmente, na era do #AtivismoDeHahstag.

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